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O incrível mundo do não-sei-o-quê

Toda busca começa com um indagação. O encontro com uma feroz pode levar a caminhos que não podemos prever ou até mesmo deixar que tudo escorra em vãos momentos de desconcerto. Afinal, de que vale saber muita coisa se no universo tudo pode ser questionado? Talvez mais saber seja exatamente menos poder intervir. E se Bourdieu estiver certo, os intelectuais não servem pra muita coisa. Ele defendia um tipo de pensador que deixasse o mundo das ideias e viesse encontrar o mundo real tão carente de boas intervenções. Mas tudo pode ser uma grande hipótese furada se dissermos que mesmo a Rainha de Copas do País das Maravilhas tem algo de decididamente humano. É que sempre queremos dotar as coisas dessa humanidade que nos incomoda e até mesmo coelhos e cartas podem se perder sendo tão humanos. Transcender pode significar mesmo perder a inocência ou se perder em caminhos sem volta de uma mente que exorbita o próprio cárcere de seu corpo. Sair do Mundo das Idéias e dar de frente com tanta resistência pode ser o maior encontro com algo que podemos chamar de limite intransponível. Isso a gente pode ver só lendo uns livrinhos de história: nenhuma ideologia resistiu ao seu encontro com a realidade. Decididamente cruel o que não tem existência nas nossas próprias fantasias tão desprovidas de chão quanto a areia é carente de ligação. Se podemos encontrar qualquer centro de gravidade nisso é porque realmente sabemos que isso é verdade e nos arrasta para as conclusões mais redondas e vazias de paixão juvenil. É o que acontece quando a gente fica velho: a gente sabe como as coisas são e deixa de querer mudar o mundo. Esta tensão entre o que é velho e o que é novo pode se resumir, muitas vezes, nesta queda na realidade que nos arrasta, a todos. Afinal a gente cresce e envelhece todos os dias. A força da gravidade parece realmente invencível se temos que sustentar todo um universo de partes e futuros. E isso acontece também com os nossos sonhos e ideologias: tudo envelhece quando sabemos que o futuro se reinventa cada dia mas se mantém tão ligado ao nosso instinto de autopreservação ou à realidade das nossas limitações. Isso não é tão simples assim, mas é fato. E contra fatos, não há argumentos.
Escrito por Bruno Godinho às 00h26
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O que será que a gente tem por dentro?
Escrito por Bruno Godinho às 12h10
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Não tenho inimigos Nem talentos Talvez não realize particularidades..
Escrito por Bruno Godinho às 23h07
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A reinvenção do existencialismo
Por Alexandre Carrasco
"A subjetividade é a verdade." Tal juízo, dito pelo próprio Kierkegaard no seu Post Scriptum não científico às Migalhas filosóficas, poderia ser a nossa deixa para apresentar e definir essa filosofia que, salvo engano, foi a primeira a se designar "existencialista". Nada parece, aliás, mais adequado quando igualmente se sabe que o existencialismo que fez fama e fortuna, o francês, não se cansava de anunciar justamente um retorno à "subjetividade" como a cura para todos os males (os passíveis de cura, evidentemente). Além do mais, há outro elemento, em parte resultado do que se chamou de "renascimento" de Kierkegaard nos anos 1920, que poderíamos adicionar a essa constelação de coincidências que parecem culminar no encontro do existencialismo francês com Kierkegaard: em 1938, Jean Whal publicava seus Estudos kierkegaardianos, e, sem o saber, tornava-se o primeiro leitor qualificado - como seus textos posteriores atestam - para entender a virada da maré existencialista na França, então em curso acelerado. Entretanto, qual a surpresa quando se depara, ao abrir o primeiro livro de ensaios de Merleau-Ponty, Sentido e sem sentido, com um artigo intitulado "O existencialismo em Hegel". Não apenas Kierkegaard havia escrito deliberadamente contra Hegel - ou, como ele talvez preferisse, havia escrito justamente "migalhas" filosóficas, de maneira "não científica", contra um filósofo do "sistema" e "científico" -, como a própria idéia de uma arena privilegiada para o espetáculo da verdade, a existência, marcada por sua necessária finitude, tem como matriz a oposição que Kierkegaard pretendeu fazer ao famigerado saber absoluto hegeliano, que, como se sabe, afirma peremptoriamente (uma vez que é absoluto) que "a verdade é o resultado, que o resultado é a verdade". Ora, o intrigante desse parti pris é seu resultado. Como dirá Merleau-Ponty, menos que uma outra teologia, as obras de Kierkegaard fundam uma antropologia em que o constante e, por vezes, inusitado desdobramento do sentido interior é a pedra de toque do movimento da subjetividade. Importante notar, ademais, que a tese hegeliana da reversibilidade interior-exterior é o que mais interessa aos existencialistas, que não desistem da procura de um "existencialismo" em Hegel. Dado que a intencionalidade é, em suma, a posição subjetiva da objetividade, não serão poucos os momentos em que o Hegel da "fenomenologia do espírito", isto é, o Hegel dos momentos objetivos da "subjetividade", na tradução dos existencialistas, aparecerá como mais essencial que Kierkegaard e seu existencialismo da "interioridade", interioridade em relação à qual Sartre e Merleau-Ponty pretendem escapar. Entretanto, se é o interior que contamina o exterior - e, portanto, deixamos a salvo a consciência -, se é o interior que reduz o exterior às significações válidas para mim, então permanece o ponto de partida de Kierkegaard. Se Kierkegaard não aceita outra dialética senão aquela que ele chama de "comunicativa" e "negativa" (cf. op. cit., p. 61 e ss.), é porque essa subjetividade, mesmo que ganhe ares "objetivos" graças à intencionalidade, não realizará os feitos do saber absoluto, e bem poderá se aparentar à dialética "truncada" sartreana. Não à toa Sartre descobrirá por meio dela o mundo dos "artistas e dos profetas". Kierkegaard sentir-se-ia em casa.
Escrito por Bruno Godinho às 23h00
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Canções do tempo
sopram os ventos deste fim de tarde, falsa melodia
os cabelos magros da noite esvoaça, ao lado,
um companheiro de viagem agita os rbaços
em caótica alegria
a história é vã; é o vento que sopra no fim de tarde
um homem, como deus, é feito de flocos
branocs, flocos negros, razões da alma em cores
na avenida
desce, com o vento, a consciência
rubra. e a lua fria
(Rubens Alves Pereira)
Escrito por Bruno Godinho às 22h52
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Escrito por Bruno Godinho às 22h35
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Como se o avesso fosse o lado certo
Viceversa
Tengo miedo de verte necesidad de verte esperanza de verte desazones de verte. Tengo ganas de hallarte preocupación de hallarte certidumbre de hallarte pobres dudas de hallarte. Tengo urgencia de oírte alegría de oírte buena suerte de oírte y temores de oírte. o sea, resumiendo estoy jodido y radiante quizá más lo primero que lo segundo y también vicViceversa
Tengo miedo de verte necesidad de verte esperanza de verte desazones de verte. Tengo ganas de hallarte preocupación de hallarte certidumbre de hallarte pobres dudas de hallarte. Tengo urgencia de oírte alegría de oírte buena suerte de oírte y temores de oírte. o sea, resumiendo estoy jodido y radiante quizá más lo primero que lo segundo y también viceversa.
(Mario Benedetti)
Escrito por Bruno Godinho às 22h07
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Sobre sentimento e direito
Eu acho vulgar falar de amor no dia dos namorados. Por que simplesmente não podemos falar de mais nada que não passe por nossa dissimulação. Ademais, como a maioria de minhas virtudes não passa pelo romantismo, eu me exaspero na tentativa de me deixar levar por figuras incompletas de nossa procura, e as fulmino de canto de olho sem deixar passar nada. Não saberia, portanto, escrever cartas de amor, nem que fosse por encomenda. Só não posso deixar de tentar de falar sobre direito, o que na verdade é quase a mesma coisa, e esta insistência já me tem dado um certo treino nestes curtos anos de tentativa de entender isso. Culminar com o sorriso, que não tem porque vangloriar-se de ser o mais belo quando, a rigor é o mais desonesto e distanciado da incerteza de catequizar a alta lição que nos arrependemos de contar. Em virtude disto, em decorrência da superação, lanço mão da conseqüência de unir polos tão diferentes: o direito e o sentimento. De modo que tenho que me adentrar, por força destas circunstâncias, nesta esfera imprecisa e pessoal, por que não conseguí outro charme senão este. Voltando ao que disse, deixo por considerar que tal insensatez de desmistificar conteúdo tão alentador pode ser um pouco desalentador, o que me faz querer prosseguir nisto. Observando que a medida da justiça sou eu, fabrico o que penso e pronto, sou moral. Ao mais de tudo posso conseguir a completude disto numa mágica qualquer: afirmo e pronto. Na verdade com a norma legal não é assim: o pressuposto do direito é que ele seja forte, que seja garantido pela instituição: o Estado. O pressuposto do que sinto sou eu, e apenas a mim ele atinge, o que já configura grande distância e os torna incomensuráveis. Ponto nisto, parto para o que considero uma forma de entendimento plausível . Direito é caminho e meio, nunca fim, devendo redimir e formular verdades. Em vista disto, considerando que amor é uma coisa totalmente medida pela paixão, pelo entendimento e e pela parcialidade (veja: você escolhe um e pronto!), pondo tudo isto na balança da justiça, considerando que amor é caminho, e meio e que direito é paixão e entendimento, só posso chegar a conclusão que direito é também uma forma de sentimento. Mas, como eu já havia dito, existe uma barreira: o direito é forte porque tem o Estado e o sentimento é fraco por que é a completa parcialidade. Mas eis que os uno na forma que tem tomado o direito hoje, e que vem se configurando ao longo dos tempos. O direito é muito mais parcial do que quer que seja os que o defendem como um sistema. A rigor ele não é um sistema pronto, senão um sistema com altíssimo grau de dependência desta variável que, ora, os apresento: o sentimento. Observe: na aplicação da lei, o juiz, que a pode considerar segundo seus ideais; na confecção das normas, os legisladores, que as fazem segundo seus interesses; no controle dos procedimentos, os escrivãos, que dominam os cartórios e só fazem andar os processos que tenham um "pai" ativo. Muito pouco a ver com lei, senão com a lei das ideologias de cada um que se defende como pode ao ter em sí a investidura de um poder pelo direito. Não defendo o positivismo ou positivismos para desarticular tal configuração. Entendo, mesmo, que algo que é feito para homens e por homens deva se adequar ao mundo pela via da ponderação mediada pelo sujeito que a carrega e a faz agir. O que eu quero demonstrar é a alta dependência que este instrumento tão importante tem dos humores do juíz, do promotor, do advogado, do escrivão, do legislador. Deste modo eu rebaixo o direito da esfera da objetividade para a esfera dos sentimentos. Visto que os sentimentos são considerados como faceta menor do ser humano, ao contrário do direito, que seria objetivo e superior, e que pairaria por sobre todos os mortais, infalível. Não há lei que não passe pela subjetividade de quem o aplica. Nem as leis da natureza, em vista da percepção que temos do mundo que nos cerca, que é sempre parcial e humanizadora. Direito, posto, é ideologia e sentimento também. É parcial e humano, é erro e acerto, é boa vontade e romantismo. Dito isto, posso contar que escreví algo assim. Após o discuso, só posso me contentar com o fato de tudo o que eu escrevi, no fundo, é uma grande bobagem piegas, como, na verdade, são as cartas de amor.
Escrito por Bruno Godinho às 23h06
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No retrato que me faço - traço a traço - às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore... Às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança... Ou coisas que não existem mas que um dia existirão... E, desta lida, em que busco - pouco a pouco - minha eterna semelhança, no final, que restará? Um desenho de criança... Corrigido por um louco!
(Mário Quintana)
Escrito por Bruno Godinho às 22h40
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Existem lugares adiados.
é difícil escrever as cidades cheias de casas com ruas desertas de gente, ou serão as cidades cheias de ruas com casas desertas de gente?
existem lugares perdidos.
existes tu.
existo eu.
existimos aqui.
suspensos.
Escrito por Bruno Godinho às 12h03
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Lua Ó Lua, linda Lua, Branca Deusa do Amor Ilumina-me com a doce Luz tua E livra-me de toda a dor.
Ó Lua, linda Lua, Quando teus raios, com ardor, Percorrem minh'alma nua, Sinto, em todo o meu ser, teu amor e calor.
Ó Lua, linda Lua, Toda a minha inspiração Provém da beleza tua.
Ó Lua, linda Lua, Com tua misteriosa alvura, Tu, que és a minha paixão, Já levaste muitos à Loucura.
(Thaís Drimel Andrade)
Escrito por Bruno Godinho às 13h02
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Equus ou ecos?
Escrito por Bruno Godinho às 23h33
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Geoglifos se multiplicam no Acre, dizem cientistas
Escavação das imensas estruturas geométricas pretende encerrar enigma
Uma das hipóteses é que as formações foram feitas por sociedades antigas que viveram na floresta entre 800 e 2.500 anos atrás

Deuses astronautas? O estudo dos geoglifos acreanos já permite a identificação de dois padrões de construção. Ao sul da região delimitada pelos pesquisadores, o que se vê com mais freqüência são desenhos circulares, com 300 metros de raio. No norte, predominam formas retangulares, com 200 metros de lado e três metros de profundidade. Distantes de rios permanentes, as estruturas, geralmente localizadas no planalto, ficam alagadas quando chove. Segundo pesquisadores, isso pode ser indício de que tenham servido como açudes em uma época em que a floresta tropical úmida era uma imensa savana -vegetação rala, semelhante ao cerrado. No deserto de Nazca, na região Sul do Peru, enigmáticas figuras gigantes também ganharam fama internacional após a publicação, em 1968, do livro "Eram os Deuses Astronautas?", do escritor suíço Erich von Däniken.
(Folha de São Paulo)
Eu sempre acreditei ...
As civilizações humanas já foram tão desenvolvidas quanto as nossas em termos de cultura. Na verdade não há desenvolvimento sustentado nessa sociedade que foi construída nos moldes europeus. Antes avia comunhão com os recursos naturais. Hojé só há exploração. Em breve não haverá nem isso... Nem homem haverá. Aí os deuses-astronautas apoderar-se-ão do fruto que resultou da semente que eles plantaram.
Escrito por Bruno Godinho às 09h46
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Não estou falando de paixão.
Ou O custo da viagem ao redor da estrela
Ou Gravidade
A verdade é que eu posso ver muitas coisas se desenharem num céu de brigadeiro no momento em que me sinto enlouquecidamente apaixonado pelos meus dias. Mas o abraçar o conforto de amar tão intensamente e de ter uma coisa de sentimentalismo é, na verdade, uma forma qualquer de ver o mundo que não quer dizer que eu esteja realmente sentindo tudo isso. Eu gosto de me sentir vivo, eu gosto de amar, é o meu jeito. Mas parece que tudo tem andado tão sufocado, tão diferente do que eu havia planejado. Nem tudo o que eu sinto agora é realmente de fato que eu pretendia estar fazendo agora, nem amando agora. Eu não estou dizendo que me desapaixonei da vida neste mundo de tantos encontros. Eu digo que dentre outros possíveis eu fui levado a ser e ter uma verdade desta forma. Errada ou certa, a vida da gente é muito mais correnteza do que estrada.
Pra nadar contra a irremediável inquietação que o coração espuma imerso na levada água do rio que nos envolve só muito de não-pensar. Havia uma beleza em saber que nem todas as provas de que nem tudo a gente controla podiam desencontrar a esperança de que a vida fosse perfeita. A forma com que a gente é levado, no entanto, nos diz o quanto de não-poder é muito mais rico de significado em nossas vidas. E a inquietação de não saber em que rumo vão as coisas é substituída pela forte desconfiança de que a vida não é movida somente de paixões. Chega um momento em que as contas são tão altas e em que a dependência é tão forte que não podemos mais arrancar as raízes que foram se encravando durante o caminho.
O mundo continua indo despretensiosamente conduzindo-nos no espaço ao redor da sua luminosidade e ordem muito embora esteja jogado no universo de possibilidades. Nada todos os tempos ao redor da luz que o prende e faz respirar e aquecer a vida. Cada um faz o caminho ao redor de seu ponto de gravidade. Como se a viagem não fosse mais que destino apenas e amor muito menos que escolha. Não há preço nem vontade em nossa rota de pó a estrela. Por mais que sejamos inteiramente iludidos de nossa eternidade a rota e a gravidade parece encontrar-nos em todos os momentos do nosso encaminhamento da luz a luz. Nem o amor resiste a sua culpa de nascer e morrer. A gente sempre sabe que vai acabar.
Escrito por Bruno Godinho às 23h11
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Os especiais
Um ônibus que desce a ribanceira levando postes e parte de uma árvore próximo a um viaduto movimentado numa grande cidade é uma notícia importante para se estampar na capa de um jornal. A coisa é séria mesmo. Mas e se o ônibus fosse uma determinada forma de ver o destaque que desanda o benefício de estar sorteado em um desastre qualquer? Desastres existem deveras. Acidentes, geográficos ou não, também. Os acasos são determinantes na formação de uma história.
O quanto de sorte que uma pessoa consegue acumular na sua trajetória é importante para a formação de uma vitória. Nesse sentido é cabível confirmar que não há determinação que vença a sorte. Mas há incompetência e tentativa frustrada pela incapacidade de vislumbrar a vitória quando uma oportunidade acontece. A sorte pode ser maior que o talento, mas a forma com que este se apresenta determina a possibilidade de estar no lugar certo nas horas em que as coisas acontecem. Mas ainda assim, nem todas as possibilidades do mundo são capazes de derrotar o incapaz, o incompetente. E ele parece que não migra dessa condição. Não consegue ser diferente. Não consegue com oportunidade vencer a indeterminação, e tentar buscar a bola premiada diante da força irrelevante que representa e conforma sua condição de poder diante da vitória iminente.
Não há sorte que segure o incapaz, a menos que ele mesmo queira mudar. Não há chance possível de vencer a desclassificação iminente. Parece que o tal do Darwin tava certo. Nesse sentido cabe questionar o porque de vivermos nesta sociedade de idiotas incompetentes. O que as lavouras destruídas, a fome incessante, a miséria, o clima enlouquecido têm a dizer da superioridade da sorte. É o talento do tempo em mostrar que mesmo o julgar formidável que traz a idéia de que o homem é o centro e a coisa mais maravilhosa do universo não é capaz de aumentar a sua capacidade e destituí-lo desta sua incompetência endêmica. E não o há o que mudar. Sempre existirão os "espertos" que acham que o lucro fácil e a exclusão são valores louváveis. Talvez sejam mesmo. Eles são competentes no que se propõem: tirar o máximo de proveito de tudo e acumular. É de acumulação que se sustenta o capitalismo, não há forma diferente de agir. Parece não haver resposta diferente do competente tempo, da formidável história e da talentosa natureza: fazer da sorte a sua perpetuação, e continuar, a despeito dos arrogantes e incompetentes seres que, estupidamente, julgavam-se o centro de tudo.
Escrito por Bruno Godinho às 11h37
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O mundo tá muito doido mesmo!
Imagine que voce pode até encontrar alguém que faça de você um heroi... Imagine que voce possa ganhar muito dinheiro de uma hora para outra... Imagine que voce consiga eleger-se presidente da república...
Qual a primeira coisa que voce faria?
Com certeza a resposta não foi "ajudar as pessoas" !
A verdade é que é cada contra sí e eu por mim mesmo.
Escrito por Bruno Godinho às 22h31
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Homem objeto ...
O que a gente costuma entender por cultura ocidental é um complexo disperso de paroximos com outras culturas, juntados por símbolos identificáveis na cultura como um todo e que fazem da unidade de caracteres um sistema com o qual se juntam pedaços que se encaixam, respeitando-se aos outros, os que não encaixam, o espaço de exceção.
Dando ênfase a este conteúdo comumente chamado de universal na cultura do ocidente nós escondemos o real significado do caldo moral que erguemos todos os dias em nossos atos respaldados pela tipicidade identificável dentro da amplitude de comportamentos possíveis. Assim, se encontramos um mendigo na rua, de imediato, nossa reação é a de achar aquilo estranho, fora do normal e digno de concerto. Apesar de sabermos que é normal, por causa de nossa opção econômica, que exista este tipo de situação. Ao mesmo tempo, ao acharmos que o papel da mulher é o de se enfeitar todos os dias, supostamente para elas mesmas, e que isso seja normal, estamos dando razão a possível cultura que nos rodeia, ratificando a normalidade que ora obedecemos para nos encaixar. A rigor, as mulheres são criadas desde pequenas para estarem enfeitadas e respeitadas. Um misto de atração e afastamento. Elas se arrumam, enfeitam todo o corpo supondo que estão fazendo para elas mesmas, ou para atender a um ideal da sociedade. Não é permitido a elas o desleixe, a barriguinha, a calça folgada, o cabelo despenteado. Mas é expressamente proibido a qualquer mulher minimamente digna de respeito ter um comportamento liberal frente ao sexo. Ainda hoje, o que é incrível, as mulheres que são escolhidas pelos homens para se casar são as recatadas, as que tratam a sexualidade como um tabu, as que não falam abertamente sobre isso.
Ainda assim a elas não é permitido o desleixe. As mulheres têm que se enfeitar para os homens ou para seus carros, ou para si mesmas enquanto cobrança hodierna. Não se exige do homem a beleza. Apesar de hoje em dia verificarmos certo culto ao belo em vários aspectos aumentado pela influência da mídia. Exige-se do homem o sucesso porque a ele ainda compete lutar. E ao sucesso sucede-se uma bela mulher como recompensa. Obviamente não se trata de uma desvalorização voluntária da mulher, isso de escolher, ao invés do belo, o rico. Concerne à própria estrutura moral que construímos sob o signo da normalidade dentro da “nossa cultura” - esta observada eternamente como diferente das outras pelas suas características supostamente mutáveis.
Resta, após estas considerações, dizer que somos parte disso. Dizer que ratificamos isso. Dizer que concordamos com isso apesar de dito parecer estranho. Não quero aqui apregoar a elevação do status real do termo “homem objeto”, no lugar do utilizado e já dito conceito de estrutura social. Venho aqui para constatar e provocar o que o meu modo de dizer pareceu relatar sem causa. Mas não há propósito, afinal, na minha observação se não há despropósito na atuação de andar concordando com esta série de coisas que a rigor considero como pertinentes a mim mesmo enquanto ocidental inveterado e brasileiro convicto. Afinal eu sou normal...
Escrito por Bruno Godinho às 22h16
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Fronteira (Ou Elogio da Loucura)
Há pessoas que não semeiam muitos sorrisos em sua vida. Fazem dela uma estrada escura em que a separação que despedaça e desfaz em extensões infinitas de arquitetura esfumaçada. Há, também os que não contam os seus pecados nem a Deus ou ao espelho. Quem poderá fazer estes grãos desfazerem-se em realidade? Fechar os olhos aos desregramentos faz iludir o que nos maiores vícios encobre aos quase-semelhantes a medida que não existe em si mesmo. O esforço é grande e o homem é pequeno diante do mar. Mas a alma é divina e a sentença ilimitada porque o por - fazer não é impossível ao amante que amorosamente sabe qual é o maior prazer da vida. Eu não sei.
Começo a sentir que não tenho mais um traçado mais evidente. Não existe marca que demonstre muito da paisagem que deixei. Parece uma insensibilidade. Bom mesmo é marcar a vida com paixão e beirar a fronteira da loucura, pois sabe aproveitar a vida quem prova e dá nascimento aos sentimentos menos evidentes e, por isso mesmo, mais fortes. Sem dilemas ou silogismos ou qualquer raciocínio lógico sutil com que se contenta a razão mais bem guardada. Por causa do amor o mundo foi criado e é preciso resgatar o que mais é claro nessa forma de ver este mundo por entre lágrimas e sorrisos constantes e marcados. Viver é sentir o que há de mais saboroso e amargo: é ter história pra contar.
Fechar os olhos e se entregar as suspensões de nossas adrenalinas parece ser o jeito certo de se viver. Isso quer dizer iludir-se, imitar, amar, admirar, tolerar vícios e percorrer virtudes. Mas não é exatamente isso o que chamam de loucura? O sonho e o encontro consigo mesmo e seus mundos ou universos particulares são formas evidentes de loucura e o que faz com que os dias de nossa vida sejam mais viver do que passar. É disso que falam as canções,a poesia, o dons, os amores. As paixões desconcertam e laceram a experiência racional de um sujeito, mas são absolutamente indispensáveis ao sabor da vida. O melhor da vida é sentir, seja uma loucura ou qualquer sentimento muito raro ou sempre presente. E estaremos convencidos do que é bom de ver e dessa verdade se atentarmos a todas futilidades que uma pessoa diz ou faz e as coisas poucas ou muitas da sua rotina fazem dele um sentidor do mundo. Viver é uma loucura mesmo, ademais, e amanhã será um novo dia sempre. Antes que o mar me leve para bem longe, e além das águas que não têm gozo, antes disso, certamente, eu serei mais feliz. "Adeus, pois, ilustres e caros amigos da Loucura, aplaudi-me, passai bem e diverti-vos."
Escrito por Bruno Godinho às 23h16
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Nada de lições: você
Não parece que você possa ser filho de japonês com girafa, afinal você é normal com o passar do olho, e o passar constante revela o que nem você sabia: você é algo diferente do que você pensa que é. Parece que não é você depois de um tempo, parece que você não fez mais nada para ser você mesmo do que fez para ser outra pessoa. Não é uma lição de moral que a gente pode tirar destas constatações sem sentido, são visões cansadas, são nossa cota de determinação em estar para sempre destinado a ser, finalmente, alguém que valha a pena. Não parece algo meio diferente, no fundo, a gente chegar a conclusão que aquele que está na foto não é exatamente quem você queira que estivesse lá, no fim de tudo a pessoa tem que se contentar em ser espectro de sí mesma, destino trágico e inútil. Aí vem aquelas pessoas - que sempre vêm - te dizer que você tem que trabalhar, que só se pode ser sociável, que você tem que ser igual. No fim de tudo te moldam e você acaba numa repartição pública, sem trabalhar, ganhando, arraigando a destituição de sua hipocrisia na simpatia e na pretenção de mudar o mundo. Se pode acabar este mundo de constatações dizendo que a gente tem que mudar o mundo, mas não adianta e nunca adiantou pensar que se pode fazer algo assim: ser diferente quando todo mundo quer que você deixe tudo como está...
Escrito por Bruno Godinho às 23h08
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Bendito seja o Mesmo Sol
> Bendito seja o mesmo sol de outras terras Que faz meus irmãos todos os homens Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu, E, nesse puro momento Todo limpo e sensível Regressam lacrimosamente E com um suspiro que mal sentem Ao homem verdadeiro e primitivo Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. Porque isso é natural - mais natural Que adorar o ouro e Deus E a arte e a moral ...
(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)
Escrito por Bruno Godinho às 10h42
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Vamos gozar!
A propósito de desnascer para viver o que se promete diante da correta forma de vislumbrar a oportunidade de estar feliz quando ela realmente aparece tenho a dizer que as coisas boas têm que ser vividas. Embora essa bem-aventurança só deva começar a ser perfeita no instante da reunião gloriosa dos corpos com a almas, o que realmente detona a infinitude de nossos gozos em um mundo em que tanto se perde a oportunidade de ser feliz é fazer algém feliz.
Vamos gozar! Os corações que nunca ouvem, os olhos que nunca percorrem, os ouvidos que jamais encontraram não podem dizer que já existiram na mais perfeita qualidade de existir. Um dia o jogo termina e a gente não consegue mais fazer o que tem vontade. Essa é a parte da beleza de viver que mais faz sentido no final da contas. A loucura feliz é a única chance de passar a possuir a vida da forma mais completa e perfazer o sentido de estar por aqui.
A valorização destes sentidos está determinada por um destino glorioso de nosso gozo. Um momento tão fugaz no tempo mas tão perseguido por nossas ações. Ora, não é louco um homem quando o seu espírito, elevando-se acima da matéria, parece sair do corpo para delirar? Gozar é admitir que o fim e o sentido das nossas atitudes é perder a razão, pra depois encontrá-la no recomeço. O negócio é se perder. Enfim, quanto mais perfeito é o prazer, maior é a loucura e mais perfeita é a felicidade.
Escrito por Bruno Godinho às 22h56
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Não tenho medo de jogar o mundo pra cima.
Já não ouço mais expressões manjadas.
E nem tudo acontece por uma razão específica!
Tenho dito..
Escrito por Bruno Godinho às 22h45
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Os novos moralismos
Uma grande conspiração que incorpora a forma de sustentar as virtudes tem sido encarnada sobre a forma do moralismo que impera hoje de uma forma diferente. Parece que o mundo tem se tornado mais extremo e que as palavras têm um significado diferente daquele com o qual entendiamos as coisas. Embora tudo continue formidavelmente posto em seu lugar: o preconceito em seu preconceito, as relações em suas relações, os códigos em seus deciframentos. Parece que tudo, hoje, tem esse código de moralismo que sopra dilacerando os volumes de liberdade que havia breguice dos anos que se encerraram, enterrando-a sobre as fundações dessa realidade cada vez mais virtual e, portanto, hipócrita. Será impressão haver tantas interpretações extremas de assuntos tão debatidos? As religiões, os preconceitos, os preceitos têm se condensado em dogmas com forma de bolhas que recrudescem as dissipações e formam esse conteúdo do qual se apossam os grupos para formar a sua identificação. As coisas têm ficado piores com essas formações exógenas. Elas nem fazem parte da sociedade nem podem ser entendidas de fora dos grupos. Antes havia moralismo, mas as pessoas podiam gritar e queimar seus corpos. Hoje nem a morte parece salva dessa avaliação moralista: num mundo individualista, morrer é o pior pecado.
Escrito por Bruno Godinho às 22h05
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Coisas ocas
A verdade é que muitas das coisas que existem hoje não nos toca da maneira certa. Elas não estão vivas senão quando passam de fase e vibram. Nada mais importa. Nessa vida de quase gozo é que nos jogamos. As coisas parecem ser mais do que realmente são. Isso deixa a gente com uma pulga enorme atrás da orelha. Mas que orelha? Aquela que temos dos lados da cabeça? Com a imaginação livra-se de tudo. Como se as coisas fossem ocas. Na verdade são! Vale mais contar como foi boa a viagem do que realmente aproveita-la. Não é verdade que as pessoas levam máquinas fotográficas pra todos os lugares que vão? Por que? Será que isso quer dizer que os sorrisos ali são falsos? Ou que nós só existimos enquanto aparecemos. Já cansei de contar as vezes em que em grupo de amigos se contam histórias que presenciei de uma forma muito diferente da que vivi. Será que estou com algum problema de memória? Será que não tenho adrenalina suficiente para me envolver emocionalmente com os dez segundos de excitação que são descritos como dez minutos de intensidade? A verdade é que muitas das coisas que existem hoje não nos toca da maneira certa! Talvez estejam ocas. Talvez sejam só perguntas. Talvez fotografia e adrenalina, ou nada. Talvez eu esteja tetando ser demais quando o que importa é parecer e aparecer.
Escrito por Bruno Godinho às 11h54
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Singela em todos nós
Não se trata, ora pois, de macular a flor que nasce no coração de um homem e se perfaz por traduzir a beleza que dele renasce e o faz vivo na manhã do descobrimento de seu valor. A tradução de sua vivacidade é a respiração que surge forte e conduz a um valor maior que as menores parcelas de outrora não o deixaram viver, trata-se de orgulho e liberdade. De beleza transpassada pela atitude viva que surge no olhar marcante da verdade que emana de si. E orgulho por sua cor, e orgulho pelo seu pensamento, e orgulho de sí no demasiado mundo de limitações que a sua escuridão traz. Com a seu valor surge, por fim, a democracia que tanto se fala e nunca se viu. Não se trata de vencer a eficiência, mas de vencer a hipocrisia. Se os limitam determinadas posições, viu-se sempre cantar a liberdade. No entanto essa fuga é restrita, e a favela continua de pé depois da noite perdida.
E quando se fala em auto-estima não se fala de superação. E quando se diz da necessidade de se ter orgulho não se fala em construir uma situação real, dentro dos moldes do que é exigido socialmente, para que venha a nascer este orgulho. Nós somos responsáveis pela inclusão tanto quanto o é o Estado ou as instituições, porque nós, a cada momento que pensamos de um modo separtista - como nas festas que vamos, que não podem ter "browns" -, a cada piada perniciosa contada - como as que desmerecem os homossexuais - a cada escolha que fazemos - como a de atravessar a rua ao nos deparar com um jovem negro de aspecto que se convencionou ameaçador -, estamos estabelecendo o lugar dos excluídos, a saber fora de nossas vidas em todos os momentos que não sejam os de nos servir.
A superação começa também e principalmente por nossos atos, por nós. No nosso singelo puro coração nasce, por fim, a flor esmagada da esperança. No encorajamento do valor plantamos a flor no coração do outro e o ar torna-se carregado de valores que o valor que morria não deixou surgir. Que mínimo valor surge em nossa vida quando temos orgulho do que somos e do que fazemos. Mas que valor tão importante é esse que nos faz confiantes em superar a imediaticidade da sobrevivência para acharmos que seremos eternos no jardim da virtude por que construímos novamente o que os viventes chamaram de sucesso.
Escrito por Bruno Godinho às 22h55
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